Mais que um deslocamento que repensa o lugar da obra de arte e rompe com os suportes tradicionais, pensa-se em uma ação artística que leve em consideração toda a visualidade já constituída no espaço público, as camadas temporais, as autorias compartilhadas, as diversas visualidades que dialogam e se sobrepõem. Pensar a cidade como possibilidade de refletir sobre a memória, os esquecimentos, os embates, os desvios, os espaços de intimidade e os locais de encontro.
A imagem do labirinto como a paisagem urbana. Este conjunto de percursos intrincados, criados com a intenção de desorientar quem os percorre, seus trajetos infindáveis, suas rotas e seus dispêndios. Pensar o constante movimento de deriva que é o percurso pelo espaço urbano, a vulnerabilidade do olhar diante da ocupação visual destes lugares que, em sua maioria, são controlados pelo apelo publicitário. Uma ação artística, portanto, que se ocupe em pensar a visualidade pública, buscando a inversão desta lógica e assumindo, sobretudo, o papel de quem repensa e recria os espaços pelos quais transita.